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A CASA E O MUNDO

artesão

Antônio Jader Pereira dos Santos (Dim)


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Biografia:

"Dim nasceu em 26 de fevereiro de 1967, um domingo de carnaval, na cidade praieira de Camocim  (Ceará) (...).

(...)

Terceiro filho dos sete que tiveram Antônio e Maria das Dores Pereira (Dodô), Dim passou a infância no Cruzeiro, bairro da periferia da cidade, quase exclusivamente habitado pelos Pereira e pelos Araújo, cujos sítios eram próximos. Lugar de muita festa, muita criança, espaço para brincar e 'personagens' marcantes para o artista:

O apelido, hoje nome artístico, surgiu de uma brincadeira do pai, que de Jader fez Jadinho, depois Dinho e, por fim, Dim.

Menino inquieto, Dim usava as ferramentas do avô carpinteiro para fazer brinquedos inspirados nos que a avó, Francisca de Chagas  - chamada pelos netos de 'mãezinha' -, trazia das romarias a Canindé, Juazeiro e Parazinho: bonecos articulados, barquinhos, pequenos carros e caminhões. Atento a tudo, impressionava-se com os espetáculos que a rua oferecia.

(...)

Em casa, orientados pela mãe, dona Dodô, Dim e os irmãos aprenderam a confeccionar coroas de flores, vendidas em novembro à população de Camocim. Na falta de rosas frescas, fitas de cetim vermelho e papel crepom eram a matéria-prima com que a família recriava a natureza, e as coroas iam-se acumulando nos cantos da casa, até as proximidades do Dia e Finados.

Eu comecei a trabalhar muito cedo. tinha as ferramentas e gostava de inventar. Na casa da minha avó - a mãezinha - tinha um galpão e uns teares, que ela fazia rede de tucum. Ali, ficava o dia inteiro aquele fogo aceso e as latas de querosene Jacaré - com água fervendo, para a gente tingir as cordas, estender as cordas ... trabalhava sempre com as cores primárias: o verde, o vermelho, o amarelo. As redes eram coloridas, eram suprelindas!

Na casa da avó, além do tingimento das cordas feitas com fibra de palmeira tucum, Jader fazia as agulhas de madeira, tarefa delicada, antes desempenhada pelo avô - o paizinho - que a cegueira impediu de trabalhar.

(...)

Agitação e disposição para a fantasia renderam a Dim muitas dificuldades na escola. Expulso de uma por recusar as aulas de catecismo, reprovado em outra por mau comportamento, guarda dos bancos escolares, que freqüentou até o segundo grau, a lembrança de um  questionamento desordenado da sua parte e muitas, muitas brigas:

Eu entregava leite de manhã e chegava atrasado na escola. Fechavam o portão, eu pulava o muro e entrava pela janela. Tinha notas boas e me reprovaram três vezes por mau comportamento. (...)

A habilidade, exercitada nas atividades artesanais desempenhadas em família, dava concretude a imaginação do menino, em quase tudo parecido com os outros. Mas o investimento fantasioso que Dim sempre foi capaz diferenciava-o, desde pequeno. (...)

A passagem da condição de 'louco de Cruzeiro', menino habilidoso e imaginativo, para a de artista aconteceu, para Dim, na adolescência, quando conheceu o pintor e escultor Batista Sena.

Nascido em Camocim, Batista morara anos em outras cidades. Quando retornou à terra natal, decidiu fazer da casa da família um 'espaço cultural'. Dim tornou-se seu assistente, limpando pincéis e cuidando da casa, que os dois restauraram em seis meses de trabalho duro.

Batista dizia: 'Não existe barreira, Dim. Vamos fazer'. Eu ficava lá na casa o dia todo. Comecei a mexer nas tintas, nos restos de tecido. Ele me orientou na pintura e na escultura, nos brinquedos.

(...)

Nos anos 80, Dim passou alguns anos em Fortaleza, trabalhando num projeto do Circle Catholique de France, destinado a assistir e profissionalizar meninos de rua. Era a Barraca da Amizade.

(...)

A experiência da Barraca, orientando oficinas, deu nova dimensão ao trabalho de confeccionar brinquedos associando-o à investigação. O brinquedo adquiriu, para Dim, outro valor, o de registro de modos de vida inacessíveis aos meninos assistidos pelo projeto.

Depois de uma temporada na Argentina, onde aprendeu a trabalhar com o couro, retornou a Camocim e comprou um sítio no Boqueirão dos Dourados, na periferia da cidade. Era um local afastado, sem luz elétrica, banhado por um lago. Dim construiu no terreno uma casa, segundo conta, com oito portas e 19 janelas, decorando todo o seu interior com pinturas de sua autoria.

(...)

No Boqueirão, Dim pesquisou o boi, o reisado e o drama, uma forma de teatro presente nos espetáculos circenses. Formou, com moradores do local, um grupo de brincantes, o Guerreiros do Boqueirão e a Banda da Lua.

(...)

Com o Guerreiros, participou de filmes rodados no Ceará, trabalhando também como cenógrafo. Alguns de seus brinquedos agigantaram-se e Dim utilizou-se de matéria-prima industrial. (...)

Tempos depois, contratado por um programa oficial, Dim teve rápida participação num projeto de design artesanal, interrompida por desavenças quanto às das oficinas que coordenou.

Não curti a proposta deles, era o contrário do meu pensamento. Eu tinha que formar novos artistas em oficinas de 15 dias! Em 15 dias as pessoas iam ganhar diploma de artesão de brinquedos! Questionei isso, não aceitei. Meus brinquedos vêm de uma vida inteira, não é assim. O governo dizia que estava formando cinco mil novos artistas com aquele projeto.

Cada vez mais convicto de que seu caminho devia seguir uma lógica própria, Dim se distanciou de instituições, evitando a visão funcional do artesanato e da arte que, por vezes, elas expressam. (...)

O contato com outros artistas, igualmente insatisfeitos com programas oficiais, mídia cultural e crítica artística, gerou o movimento Neocangaço que, segundo Dim, é a contracorrente das definições institucionais e eruditas da arte". (FREIRE, Beatriz Muniz. Dim: as artes de um brincante, 1999)

Nome:Antônio Jader Pereira dos Santos
Atividade:artesão
Categoria:Artesãos/Designers
Cidade:Magé-RJ
Produção:

Brinquedos e pinturas

Materiais:Sucata, madeira, isopor e tinta

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