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artesão

Juareis Mendes


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Biografia:

"O artista nasceu em Chapadinha, localidade próxima a São Luís, no Maranhão, em 18 de dezembro de 1934. Filho de caixeiro viajante que 'quase não parava em casa', tem 18 irmãos, dos quais três moram no Rio de Janeiro. É casado e pai de quatro crianças: Ayron, Milena, Tatiana e Natália. Sua família reside atualmente em Imperatriz, no Maranhão, enquanto Juareis Mendes, a exemplo do pai, percorre o norte, o nordeste e o sudeste do país, vendendo livros e, mais recentemente, divulgando seu trabalho de artista e educador por onde passa". (Inúmeros: desenhos e pinturas de Juareis Mendes).

 

DEPOIMENTO DE JUAREIS MENDES

Morei em Chapadinha até 1945, quando vim para o Rio com o meu irmão (...).

Eu dei duro aqui no Rio de Janeiro. Fui engraxate, sapateiro, carteiro, entregador de jornal. Experimentei de tudo um pouco. Trabalhei em companhia de aviação, limpando avião. Depois, com uma certa perspicácia, fui promovido a abastecedor de avião, depois ajudante de mecânico. Viajei muito com a equipe. (...).

Depois, trabalhei numa companhia de petróleo. Entrei como operário. Na hora do almoço, o pessoal jogando bola e eu estudando. Eles viram aquilo e fizeram um teste para mim: matemática, conhecimentos, aí eu passei. Fui promovido a laboratorista. O pessoal do laboratório tinha calça e camisa bonita. Uma mordomia melhor.

Nas férias, fui para o Maranhão. Cheguei lá, novinho, vindo do Rio, e tal, muitas namoradas. Fiquei encantado e não voltei mais pro Rio.

Quando morava no Rio, com meu irmão, eu passava na rua e via as pessoas falando inglês. Então, comprei um linguafone e fiquei aprendendo. O pessoal ia passear, ia pro carnaval e eu ficava ouvindo. Aprendendo aquelas expressões, pronúncia, entonação. Depois, comecei a freqüentar aqueles cursinhos pedagógicos, assim mesmo sem ser formado. Quando voltei pra a minha terra, comecei a ensinar também. Fiquei morando em Imperatriz, vendendo livro. O pessoal começou a ver minha pronúncia e falava para eu ir ensinar inglês na escola, que estava sem professor.

Fui lá, explicando logo que não tinha diploma. O diretor me deu um livro para ler. Achei muito fácil. Eu sabia mais do que ele. Estava empregado.

Fiz só o ginásio. Estava uma vez em Parnaíba, no Piauí, e era solteiro ainda. Na pensão onde eu estava hospedado, tinha um moço que era monitor de colégio. Ele estava fazendo o trabalho de preparação para o ginásio, e perguntou porque eu não fazia. Então, fui fazer a preparação. Ia lá só para assinar a presença, duas a três vezes por semana, porque eu já sabia aquilo tudo. No dia, fiz as provas e consegui o diploma. Era o Artigo 99.

(...)

Eu era vendedor de livros. Uma vez, em minhas andanças, encontrei um adventista que gostava de vender livros também. Meus livros já tinham acabado e ele falou: - se quiser trabalhar comigo, vamos embora. Aí eu vendia geléia real e livros de culinária, educação sexual, e viajei por muitos lugares.

Uma ocasião, eu estava na Bahia. Comprava livro em Salvador e vendia em Feira de Santana. Então, uma vez ou duas por semana, tinha que ir a Salvador buscar livros para atender à clientela. Aquela viagem de 2 horas era muito monótona. Aquela estradinha só. Eu tinha que inventar algo. E comecei a desenhar para me distrair. Então, uma ocasião, eu estava desenhando no ônibus e uma professora, sentada ao meu lado, viu o trabalho e gostou. Ela me deu um cartãozinho para que eu a procurasse no colégio. Nunca mais parei. Faz bem uns 10 anos que venho trabalhando em função de escolas nesse Brasil todo.

Comecei a desenhar mesmo em Belém, em 1979. Eu me apresentei no jornal de lá para ver se conseguia uma tira, uma folha. O meu traço não era exatamente o de hoje. Está muito mais aperfeiçoado. Iniciei com letras e números, só desenhando, depois é que vieram as estórias. Aí fizeram uma reportagem comigo e eu comecei a me animar.

Comecei um trabalho itinerante, dirigido a colégios, bibliotecas, hora do conto, escolas normais, shows. Eu viajo só com a conta da passagem. Deixo uns trocadinhos com a mulher, chego numa cidade, fico batalhando. Chego numa escola e digo como se desenha cantando e contando história. O nome dessa técnica é 'desenho cantando'. Do trabalho que vou fazendo, a professora aproveita uma porção de temas para dar a aula. Eu ensino cores, dias da semana, ciências, partes das plantas, meios de transporte.

Atualmente tenho vivido só das aulas. A idéia de vender os desenhos está surgindo agora. Antigamente, não tinha o livro. Eu vendia o curso, vendia a idéia: ensinar a desenhar, cantar e contar estórias. Em agosto de 1985 meu livro ficou pronto, 'O mundo mágico dos números', e comecei a trabalhar em função dele. O livro é muito simples e vendia bem graças às aulas. Ele sozinho não venderia tanto.

Tenho a intenção de publicar outro, com estorinhas, pra poder divulgar o meu trabalho e poder ter mais apoio. Já está pronto, chama-se Dicionário de atividades, idéias e sugestões.

(...)

Minha vida é assim, trabalhando sempre em função de ensinar. Ganhando experiência e contribuindo com a minha também. Estou nessa batalha constante. De profissão eu sou desenhista e contador de estórias. Esses são os restos da minha luta. (Inúmeros: desenhos e pinturas de Juareis Mendes).

Nome:Juareis Mendes
Atividade:artesão
Categoria:Artesãos/Designers
Cidade:Rio de Janeiro-RJ
Produção:

Desenhos e pinturas

Materiais:

Naquim, guache, lápis de cera, hidrocor, papel.


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