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ARQUIVO

Descritores

Eventos

Sala do Artista Popular
Os gameleiros do bom sucesso
Sala do Artista Popular

Localização geográfica

Brasil
Sudeste
Minas Gerais
Pedras de Maria da Cruz
Bom Sucesso

Material

Madeira
Cedro

Objetos

Pilão

Organizações

Museu de Folclore Edison Carneiro

Pessoas

Nome de pessoa
Francisco da Costa
Sidinei Francisco Pereira

Técnica

Trabalhos em madeira
Entalhe

(1 de )

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OB-00516 - Pilão


MF-01351 - Pilão Fotografia: Francisco da Costa
01/08/2005
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Autor:

Sidinei Francisco Pereira (artesão)

Descrição física:

Pilão de madeira (cedro)

Dimensões:

68cm (altura) x 28cm (diâmetro)

Local de produção:

Pedras de Maria da Cruz, Minas Gerais, Sudeste

Comercialização:

"A comercialização realizada à beira da estrada é assumida por algumas famílias ali residentes. Dependendo da época do ano e em função da estação chuvosa, quando a atividade artesanal tem seu tempo compartilhado com a agricultura de subsistência cada vez mais reduzida, o número de barracas pode variar. Num período de quatro anos, de 1998 a 2002, verificamos alternância de quatro a oito barracas que vendem os objetos artesanais junto com os produtos nativos, resultante da coleta, e mangas cultivadas nas proximidades das casas, estratégia que contribuiu para a geração de renda familiar.
  Atualmente existem seis famílias que se dedicam ao comércio de beira de estrada. No entanto, o grupo de gameleiros é composto de 20 artesãos que integram as 30 famílias da comunidade do Bom Sucesso. A maioria repassa seus produtos àqueles da rodovia - que, nesse caso, além de produtores, intermediam as vendas (apenas um barraqueiro não é artesão e dedica-se com exclusividade à comercialização das peças) - ou os vende diretamente a lojistas que possuem boxes especializados na venda de artesanato nos mercados das cidades próximas. Os artesão da estrada costumam também atender a grandes encomendas (de 200 até 500 peças) de caminhoneiros que fazem o transporte para outras regiões, como Sete Lagoas e Belo Horizonte". (pg. 24 e 27)

"(...) o destino dos utilitários são os centros urbanos vicinais, em primeira instância, e, a seguir, aquele localizados em pontos diversos do país". (pg. 28)

Materiais:

Madeira

"Toda a produção decorre de madeira colhida diretamente, ou comprada, nas imediações e, por vezes, em áreas distantes. As espécies utilizadas não são muitas: cedro, imburana-de-cheiro e imburana-branca, também conhecida por imburana-de-espinho, referidas como as melhores e especialmente destinadas para confecção de peças grandes, como pilões e gamelas; taipoca, específica para a feitura da mão de pilão; tamboril e aquelas consideradas 'de qualidade inferior': mulugu, 'madeira mais fraca, mais mole, fácil de rachar, que quando molha, com três dias já embolozou, já empretou', e, por fim, umburuçu , 'madeira que não presta, racha tudo'". (pg. 19)

Descrição do processo técnico:

"O ofício artesanal dos gameleiros do Bom Sucesso ocupa predominantemente a mão-de-obra masculina, responsável pelas etapas que vão da aquisição da matéria-prima ao corte da madeira e entalhe do objeto. Pode ser executado de modo individual, é comum, no entanto, que grupos se organizem em pequenas unidades para o trabalho conjunto em gral realizado ao ar livre, à sobra de alguma árvore, repartindo depois igualitariamente os dividendos do empreendimento comum. As mulheres, que se entregam à produção enquanto membros dos grupos familiares, na condição de esposas, irmãs ou filhas do artesão, têm sua participação limitada às etapas de acabamento, ou seja, lixam e 'niquilam' as peças, tarefas pelas quais são 'contratadas', recebendo remuneração previamente acordada". (pg. 24)

Divisão do trabalho:

"O ofício artesanal dos gameleiros do Bom Sucesso ocupa predominantemente a mão-de-obra masculina, responsável pelas etapas que vão da aquisição da matéria-prima ao corte da madeira e entalhe do objeto. Pode ser executado de modo individual, é comum, no entanto, que grupos se organizem em pequenas unidades para o trabalho conjunto em gral realizado ao ar livre, à sobra de alguma árvore, repartindo depois igualitariamente os dividendos do empreendimento comum. As mulheres, que se entregam à produção enquanto membros dos grupos familiares, na condição de esposas, irmãs ou filhas do artesão, têm sua participação limitada às etapas de acabamento, ou seja, lixam e 'niquilam' as peças, tarefas pelas quais são 'contratadas', recebendo remuneração previamente acordada". (pg. 24)

Utilização:

Recipiente

Apoio:

Programa Artesanato Solidário
Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular

"Afetados pela dificuldade de acesso à matéria-prima com que trabalham devido à escassez de madeira, à proibição de corte e ao alto preço pago pela peças que conseguem adquirir, e embora não desconheçam o problema da ameaça de extinção das espécies, os artesãos não têm suas ações orientadas para por medidas que possam reverter a situação que vem se agravando na região.
  Buscando enfrentar o problema, o projeto de apoio a essa comunidade tem como um de seus objetivos a formulação de plano de manejo ambiental a ser conduzido pelos principais agentes envolvidos na questão: os próprios artesãos e órgãos ambientais nos níveis municipal, estadual e federal de governo". (pg. 20)

Contexto socioeconômico:

"Segundo dados colhidos junto à prefeitura local, seus atuais 8.878 habitantes distribuem-se de forma relativamente homogênea pelas zona rural (3.881) e urbana (4.997), vivendo basicamente de agricultura de subsistência, pecuária e pesca. Para atender a essa população, há quatro escolas estaduais e 16 municipais. Quanto à saúde, a precariedade é maior, havendo apenas um posto de saúde, na sede do município. Hospitais, para casos de internação, como partos, só na cidade de Januária". (pg. 12)

"Em 1996, finalmente foi construída uma ponte sobre o rio, ligando diretamente uma margem a outra e desviando todo o trânsito para fora da cidade. Como resultado, a sede do município apresenta, desde então, um quadro de profunda estagnação, não havendo base econômica que dê sustentação ao comércio urbano local". (pg. 14)
 
"Podemos tratar o seguinte perfil dos artesãos do Bom Sucesso: trata-se de ex-agricultores que, perdendo o acesso à terra para plantio, desenvolveram o ofício de gameleiro como estratégia de sobrevivência. Têm no artesanato a principal fonte d rendimento, e por ele percebem renda mensal declarada que varia de R$ 100,00 a R$ 160,00. São todos aparentados entre si, por sangue e afinidade: irmãos, primos, sobrinhos, tios e cunhados cuja idade vai até 52 anos. Embora 80% tenham freqüentado escola, metade deles não sabe ler  escrever, e os demais o fazem com grande dificuldade. A maioria é chefes de família, e todos moram em casa própria, local em que também trabalham. Suas residências, de alvenaria, são bem construídas, e, embora não disponham de sanitário e rede de esgoto, possuem energia elétrica. Desde o ano passado, foi solucionado o problema de acesso à água com a perfuração de um poço artesiano que supre a demanda de todas as famílias". (pg. 30)

Contexto cultural:

"A iniciação acontece por volta dos 10 ou 12 anos de idade, em tarefas consideradas de pequena importância ou de menor risco, como o lixamento das peças, na condição de ajudante do pai, de um irmão ou parente mais velho. Portanto, é como aprendiz (...) e na condição de membro de um grupo familiar, de parentesco e vizinhança, que o jovem é introduzido no trabalho. A amplitude do gesto, no entanto, ultrapassa o universo restrito do ofício, pois implica, paralelamente, sua inserção na vida social como um todo. Da convivência familiar e comunitária ao estabelecimento de relações com a sociedade mais ampla, faz um percurso orientado ela visão de mundo e pelos valores sociais próprios de seu grupo. A convivência e participação no trabalho artesanal da comunidade do Bom Sucesso é seguramente um dos mecanismos que o instrumentaliza para a inserção a campo social que se apresenta a sua frente. Participar do grupo não se resume ao adestramento, técnico que lhe possibilitará adquirir uma profissão. Mais do que isso, é oportunidade de convívio com os mais velhos, de trocar informações sobre os mais diferentes assuntos, de experimentar situações, enfim, construir redes de relações sociais". (pg. 30 e 31)

Contexto ambiental:

"Localizado no norte de Minas Gerais, o Município de Pedras de Maria da Cruz situa-se numa região em que o cerrado convive com a caatinga. Área de transição, nela encontramos solo, clima, vegetação e fauna característicos de um de outra.". (pg. 15)

"Hoje, os desmatamentos freqüentes das margens do rio e o conseqüente assoreamento do seu leito - o que praticamente impede a navegação de grande porte, como aquela praticada no passado -, a poluição decorrente do lançamento direto de esgotos sem tratamento e a diminuição assustadora do pescado - que ameaçam a continuidade de uma das profissões mais tradicionais, a de pescador - fazem com que o morador de Pedras de Maria da Cruz, ao olhar o rio São Francisco, contemple com nostalgia o passado e, avistando ao longe a ponte, sinta-se posto à margem do progresso da vida". (pg. 14)

"Toda a produção decorre de madeira colhida diretamente, ou comprada, nas imediações e, por vezes, em áreas distantes. (...)
  A área de extração é geralmente composta por fazendas de criação de gado, cujos proprietários costumam autorizar o corte dos galhos antes que árvore frutifique, pois a ingestão das vagens pode levar à intoxicação do gado.
  A imburana, também denominada amburana, embuarana, umburana e cerejeira, tem como nome científico 'amburana cearensis' e pertence à família das 'Leguminosae-Papilionoidae'. De ampla ocorrência no Brasil, (...) sua utilização no artesanato popular tradicional é bastante freqüente, desde o período colonial, sendo empregada na confecção tanto de objetos utilitários, como os produzidos no Bom Sucesso, quanto de objetos decorativos, como a imaginária profana e sacra.". (pg. 19 e 20)

"(...) trata-se de famílias que estão organizadas em integração com o meio ambiente em que vivem, dele extraindo tanto produtos para sua própria alimentação quanto aqueles que, objeto de comercialização, lhes permitem acesso a bens que não produzem diretamente. Essas famílias têm como atividade relevante em suas vidas, embora intermitente, a coleta dos produtos da zona rural circundante. Paralelamente à produção artesanal, cuja base é a madeira, retiram da área mel de abelha, pequi, araticum, umbu, uma espécie de coquinho com que fazem suco e diversos outros produtos a inventariar, perfazendo um ciclo anual regulado pela alternância das estações". (pg. 29)

Notas:

Fonte:

LIMA, Ricardo Gomes. Os Gameleiros do Bom Sucesso. Rio de Janeiro: Funarte/CNFCP, 2002.

Eventos Associados:

Exposição Virtual Sala do Artista Popular 20 Anos 22/03/2006
Bibliografia Associada:
Os Gameleiros do Bom Sucesso