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MF-01325 - Rabeca
| Crédito da Fotografia: |
| Autor: |
Francisco da Costa
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| Data: | 01/08/2005 |
| OB-00543 - Rabeca |
| Autor: |
Manoel Severino Martins (artesão) |
| Descrição física: | Rabeca construída em madeira |
| Dimensões: | 9cm (altura) x 19cm (largura) x 57cm (comprimento) |
| Local de produção: | Rio Grande do Sul, Sul |
| Materiais: | Madeira (diversos tipos), osso, cordas de aço de violão, náilon e fios de rabo de cavalo |
| Descrição do processo técnico: | "O processo de construção de uma rabeca pode durar entre oito e quinze dias. O primeiro passo é a confecção do tampo e do fundo do instrumento, chamados respectivamente de 'testo de cima' e 'testo de baixo'. (...). Tomando um testo já existente como molde, Pitunga traça a lápis o contorno da futura peça na tábua, serrando-a em seguida com uma serra tico-tico. Em seguida, começa o trabalhoso processo de cortar e escavar a madeira, até que a parte exterior dos tesos fique convexa, e a parte inferior fique côncava. No testo de cima, a madeira é escavada de forma a deixar uma linha central saliente, chamada costela, que serve como reforço. Depois de cavar e lixar os dois testos, Pitunga faz no de cima uma série de pequenos furos que, alargados com uma faquinha, formarão duas aberturas em forma de 's'. O passo seguinte é a confecção do braço, feito com madeiras como imburana, praíba, pau-amarelo ou qualquer outra madeira 'mole e maneira', como diz Pitunga. Depois de esculpido o braço, nele são feitos, com um ferro em brasa, os quatro buracos em que mais tarde entrarão as cravelhas. Em seguida, Pitunga faz o contra-braço (peça equivalente ao espelho do violino) com a mesma madeira e cola-o no braço. A cola utilizada é a comum, para a madeira, comprada em pedaços e aquecida com água até se tornar líquida. O braço e o contra-braço, agora formando uma única peça, são unidos aos tesos de cima e de baixo com cola e pregos. Entre os dois tesos, Pitunga coloca um pequeno cilindro de madeira, a alma. Em seguida, dobra e cola os aros (laterais), feitos de pedaços de jenipapo, madeira extremamente maleável. Durante a secagem, que pode durar um ou dois dias, a rabeca recebe uma série de pequenos prendedores de madeira, chamados cavaletes (não confundir, com o cavalete que sustenta as cordas). Restam então as peças menores: as cravelhas, que podem ser feitas de diversas madeiras; o cavalete, feito de osso ou de madeiras mais duras como pau-d'arco ou sucupira; a rabisca (correspondente ao botão do violino), também feito de jenipapo; e a escala (correspondente à pestana do violino), feita de osso. Com a rabeca montada, Pitunga coloca as cordas, geralmente de aço, de violão cortadas na metade para economizar. (...) A etapa final consiste em passar em todo o instrumento um verniz preparado pelo próprio Pitunga, à base de goma laca, álcool e breu. Se for o caso, a rabeca pode ainda ser pintada com tinta para madeira. "O Arco é geralmente feito de praíba ou pau-amarelo, encordoado com náilon ou fios de rabo de cavalo, e envernizado. Bem mais curto que o arco de violino, seu formato convexo aproxima-o dos arcos utilizados em instrumentos europeus até o século 17. Para aumentar sua aderência às cordas da rabeca, usa-se breu". (pg. 24, 28 e 29) |
| Utilização: | Intrumento sonoro |
| Contexto socioeconômico: | "Os rabequeiros são em geral homens mais velhos, quase sempre analfabetos, que trabalham na roça ou na lavoura de cana de açúcar" (pg. 14)
"Ao longo da vida, Pitunga trabalhou nas mais variadas atividades ligadas à roça e a lavoura de cana-de-açúcar, e também exerceu os ofícios de carpinteiro, barbeiro, marceneiro e, é claro, fazedor de rabecas" (pg. 18) |
| Contexto cultural: | "Essa região (...) é um verdadeiro celeiro de cultura popular pernambucana, abrigando dezenas de grupos de maracatu rural, pastoril, coco, ciranda e diversos outros folguedos". (pg. 14)
"A rabeca aparece como parte integrante de quatro expressões da cultura popular da região: os bailes de forró, os ternos de pífano, o babau e o cavalo marinho. Os bailes de forró, hoje praticamente extintos, eram reuniões informais em que os moradores dos sítios e engenhos se juntavam para dançar a noite inteira ao som da rabeca acompanhada por instrumentos de percussão como zabumba, triângulo, ganzá, reco-reco e outros. O repertório incluía marchas, choros, sambas, cocos, xotes e outros gêneros, que os rabequeiros aprendiam de ouvido, por meio do rádio, de outros rabequeiros ou de sanfoneiros. O deslocamento da população dos sítios e engenhos para as cidades e a presença cada vez mais forte da cultura dos grandes centros urbanos gradualmente tornaram obsoletos os bailes de forró (...)". (pg. 14 e 15)
"Os ternos de pífanos são conjuntos instrumentais semelhantes às bandas de pífano nordestinas; a única diferença consiste no acréscimo de uma ou duas rabecas aos instrumentos tradicionais (zabumba, caixa, pratos e pífanos). No passado, era muito comum a apresentação de ternos de pífanos nas procissões e festas populares das cidades do interior. Hoje, o único ainda em atividade de que temos notícia é o de Mestre Ovídio, em Itambé. Babau é o nome dado em certas regiões da zona da mata de Pernambuco e da Paraíba ao teatro popular de bonecos, que em outras regiões do Nordeste recebe o nome de mamulengo, casimiro-coco e joão redondo. As apresentações, hoje bastante escassas, costumam acontecer por contrato, seja em festas populares, seja em pequenos estabelecimentos comerciais. A orquestra do babau pode incluir diversos instrumentos de percussão, como bombo, melê, ganzá, triângulo e reco-reco, sempre acompanhados por uma rebeca ou, mais freqüentemente, por um fole de oito baixos. O repertório musical consiste principalmente em baianos, sambas e marchas, geralmente a critério dos músicos, e muitas vezes coincide com o repertório do cavalo marinho. O cavalo marinho é um folguedo realizado entre os meses de setembro e fevereiro, mas principalmente entre o ciclo natalino, entre 25 de dezembro e 6 de janeiro. Trata-se de uma variante do bumba-meu-boi pernambucano, distinguindo-se dele, entre outras coisas, pela presença da rabeca. O enredo da brincadeira, que envolve música, dança, teatro, poesia, consiste em uma série de cenas em que aparecem várias dezenas de personagens, como Mateus, Bastião, Mané do Baile, Pisa Pilão, Soldado da Gurita, etc. Entremeando essas cenas, uma pequena orquestra composta de rabeca, pandeiro, mineiro (ganzá de metal) e baje (espécie de reco-reco feito de taboca) executa os temas instrumentais (os baianos) e cantados (as toadas) que compõe o vasto repertório musical do folguedo. A orquestra recebe o nome de 'banco', por causa do banco de madeira em que os músicos costumam sentar-se. As apresentações, geralmente contratadas por pequenos comerciantes ou por autoridades de pequenas cidades do interior, começam à noite e estendem-se por muitas horas, não raro indo até a manhã seguinte. De todos os folguedos da zona da mata norte em que a rabeca é utilizada, o cavalo marinho é o que goza de mais vitalidade, embora os diversos grupos em atividade também encontrem muitas dificuldades para continuar funcionando". (pg. 17) |
| Notas: | Fonte:
PACHECO, Gustavo e ABREU, Maria Clara (pesquisa e texto); SIBA (apresentação). Rabecas de Mané Pitunga. Rio de Janeiro: Funarte/CNFCP, 2001. |
| Bibliografia Associada: |
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Rabecas de Mané Pitunga
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