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MF-02946 - Jarra
| Crédito da Fotografia: |
| Autor: |
Gustavo Ribeiro (fotógrafo)
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| OB-01447 - Jarra |
| Autor: |
Nem (Povoado de Poxica) (artesã) |
| Data de produção: | 2010 |
| Local de produção: | Povoado de Poxica, Itabaianinha-SE |
| Comercialização: | Promoart Rua do Catete, nº 179 – Catete Rio de Janeiro – RJ. CEP: 22.220-000 (21) 2285.0441 / 2285.0891 – r. 263 contato@promoart.art.br
Geílsa de Jesus Carvalho
(79) 9912.2160 (rec. c/ Josefa)
Fazenda Pau d’Onça – Poxica – Itabaianinha /SE
Valdeci Alves Guimarães
(79) 9917.3596
Povoado Poxica – Itabaianinha / SE |
| Materiais: | Argila. |
| Técnicas: | Cerâmica moldada e pintada à mão. |
| Descrição do processo técnico: | Modelagem O primeiro passo para a modelagem da peça é "bater o bolo". A louceira separa com as mãos os "bolos" de barro, já com o volume apropriado, preparando a quantidade correspondente ao número de peças que espera "abrir" antes de seguir adiante. "Abrir" é o passo seguinte. A louceira senta ao chão com uma superfície plana à sua frente, uma pequena tábua de madeira. O "bolo" de barro começa a adquirir forma, com um dos lados batido contra a tábua, o outro recebendo um leve afunilamento. Um furo é feito no lado reto com o polegar e, com a peça apoiada sobre a tábua de madeira, o barro vai girando entre as palmas das mãos que imprimem pelo exterior pressão suficiente para que este não ceda mais que o devido. Com os polegares ou a paêta a louceira vai abrindo o interior da peça. Ao longo do processo de modelagem as mãos devem estar permanentemente úmidas, para isso em frente à tábua de madeira há sempre disposta uma bacia com água, por vezes peças de barro que não tenham atingido a qualidade necessária para a comercialização. As peças estando já com forma definida são distribuídas para a secagem, dispostas no chão ao longo de toda a área de que se possa dispor. Ficam secando por cerca de um dia e não devem estar ainda completamente secas para o próximo passo, em que se irá "passar o couro". Um retalho de couro de boi embebido em água é passado pela superfície da peça em movimentos rápidos para dar a ela um contorno mais uniforme. É preciso cuidado para que a peça não acabe deformada. Após uma nova secagem, que irá durar agora de três a cinco dias conforme a época do ano, a louceira passará à "raspagem" da peça, feita com a paêta de coitezeiro ou com uma colher de alumínio sem cabo. Os excessos de barro são retirados para o ajuste da espessura das bordas, cuidando para que não fique fino demais. Com uma faca de pau a louceira dá forma ao fundo, formando a base e adequando a curvatura. O couro é novamente passado para tirar imperfeições que possam ter restado e a peça deixada secar por mais um dia. Então para dar brilho, a peça é "alisada" esfregando-se sobre ela a semente de mucunã. Após uma última secagem que irá durar agora aproximadamente dois dias as peças poderão ser enfornadas para a queima. Modelar as peças vai ficando mais difícil à medida que cresce o tamanho. Os alguidares, por exemplo, exigem destreza, nem toda louceira chega a fazer. Neles, à peça já aberta é acrescida uma borda feita com um rolete de barro. As travessas não são retiradas da tábua de madeira até que estejam já um pouco secas. Cada variedade de peça terá particularidades nas tecnologias de produção, mas chama a atenção o modo de puxar o barro em que a peça é como que esculpida, técnica que se diferencia de outras mais recorrentemente encontradas na prática louceira, sejam a técnica do rolete ou as que demandam a utilização de torno. A queima A queima bem feita é parte fundamental para uma louça bem acabada. É uma etapa trabalhosa, que irá determinar o ganho da louceira, pois é nesse momento que ela saberá em quantas peças sua produção terá resultado. A preocupação com a queima orienta escolhas tecnológicas presentes em todo o processo. Os fornos utilizados são individuais, construídos em um anexo exterior à casa das louceiras. Possuem capacidade variada, em um forno médio é possível queimar cerca de quatrocentos pratos ou cem alguidares por vez. Os fornos são cilíndricos, feitos com tijolinhos revestidos de barro e divididos internamente em duas partes por uma estrutura vazada. Em sua parte inferior a lenha é inserida por uma abertura lateral, por onde é feito também o controle da chama. A parte de cima é descoberta e nela é disposta a louça a ser queimada. Para a queima, as peças devem estar bem secas, o que leva mais ou menos tempo de acordo com a época do ano. No verão secam mais depressa, mas isso pode acarretar um número de perdas maior. Por essa mesma razão as peças não são deixadas secar "no tempo", devendo ficar protegidas do vento. A louça é enfornada antes que o fogo tenha sido aceso e a lenha vai sendo introduzida aos poucos para que o barro queime gradativamente, evitando que as peças estourem ou que não fiquem bem queimadas. A louceira inicia o enfornamento cobrindo os orifícios da base com cacos de louças para que a labareda não atinja as peças diretamente. As peças devem ficar bem distribuídas por toda a extensão do forno e quando necessário as louceiras utilizam cacos como calços para que toda a louça esteja firme. Na primeira queima as peças não devem ser empilhadas sob o risco de que uma menos perfeita acabe por empenar as que lhe sejam postas em cima. Uma vez enfornadas as peças são recobertas também por cacos, o que evita choques térmicos e ajuda a reter o calor. A louça queima de manhã cedo até o início da noite, e é deixada resfriar até a manhã do outro dia, quando poderá ser desenfornada. Dona Nem, que reside no povoado, prefere queimar durante a noite observando a direção do vento para que a fumaça não vá incomodar os vizinhos. No desenfornamento, a louceira retira as peças separando as que estão boas, as que não queimaram o bastante e terão que retornar ao forno e as que apresentam alguma rachadura que terão que ser descartadas. Não ter perdas de peças durante a queima, ou tê-las no mínimo, é atestado de mérito para a louceira e ouvimos às vezes afirmações como "na minha fornada eu não perco peça, tem louceira que eu ouço dizer que perde até metade (da fornada)". A pintura Após a primeira queima as peças seguem para a pintura, feita com tinturas de base vegetal, preparadas pelas louceiras com a infusão de lascas da casca dos troncos de jurema, cajueiro ou miritizeiro. Para o preparo da tinta as lascas são postas a ferver, no fogão à lenha ou em uma fogueira pequena, dependendo da quantidade, durante cerca de três dias até que se obtenha um caldo grosso. Algumas louceiras afirmam que as lascas não devem ser cortadas e a tintura preparada quando é tempo de lua cheia. Antes de serem pintadas as peças desenfornadas são limpas com um pano seco, retirando a fuligem ou poeira, e se alguma peça houver restado trincada, sem que tenha sido descartada após a queima, poderá ser agora retirada. A tintura de coloração avermelhada é aplicada na peça com a utilização de um pauzinho de açuqueiro com uma ponta à guisa de lápis. Os motivos "riscados" são arabescos, linhas e formas irregulares ou representações de peixes, muito aplicadas em travessas, ou vacas e pavões, introduzidos por dona Nem. A peça pode ser "riscada" por dentro ou por fora, ou de ambos os lados, o que é feito apenas em peças de maior valor. Nas que são destinadas aos atravessadores, as louceiras não aplicam desenhos figurativos e a pintura é feita de um único lado, sendo essa uma maneira de distinção aplicada ao trabalho feito para diferentes clientelas. Estando riscadas as peças retornam para uma segunda queima, agora em fogo brando, que fará com que o desenho se fixe. Se o calor for excessivo a peça escurece e a pintura poderá sair. Depois de retiradas do forno as peças são novamente limpas e estão prontas para a comercialização. As mulheres do povoado perguntam apreensivas quem irá continuar fazendo a louça quando as que aí estão também deixarem de fazê-la, mas, de pouco em pouco, moças e meninas têm chegado, revelando que dar forma à massa espessa é memória compartilhada e que no fazer do barro pode estar guardado um percurso também para si.
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| Divisão do trabalho: | Mulheres são responsáveis por quase todo o processo de produção: a escolha do momento apropriado para a retirada da matéria-prima, a modelagem, a queima, a fabricação de tinturas naturais e a pintura das peças. Os homens ficam encarregados das tarefas de retirada da matéria-prima e comercialização. |
| Premiações/exposições: | Exposição Louça Morena do povoado de Poxica
A CASA museu do objeto brasileiro
Período: 16 de dezembro de 2010 a 18 de março de 2011. |
| Apoio: | Promoart (Programa de Promoção do Artesanato de Tradição Cultural ) + Cultura (Ministério da Cultura, Iphan, Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular e Associação Cultural de Amigos do Museu de Folclore Edison Carneiro).
Parceria regional A CASA Museu do Objeto Brasileiro.
Parceria institucional e apoio financeiro BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. |
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